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segunda-feira, 19 de março de 2012

Falta de Educação?–Parte 1

Faço este post, um pouquinho atrasado. Atrasado não porque prometi ter postado algo antes, mas porque já é habitual que eu demore, no máximo, cinco dias para atualizar o conteúdo do blog. Enfim, estive passando por um período de bloqueio criativo, ao mesmo tempo em que começava minha primeira semana de aulas na graduação em filosofia. Acho que as muitas questões naturais da filosofia que prejudicaram, no melhor uso do termo, minha frequência no blog.

Ao mesmo tempo em que demorei, acho que as mesmas questões me fizeram bem, por isso encaro o prejuízo como benéfico, me possibilitando frear o fluxo de informações e pensar mais apuradamente, antes de começar a escrever. Fico feliz por voltar, com este post, que propõe uma discussão de um conceito que merece ser posto à tona, a educação.

É normal, principalmente na infância, que recebamos prescrições, aconselhamentos, e até mesmo correções, mediante ao que fazemos ou não fazemos. A partir destas experiências, mais tarde percebemos que foram todos instrumentos constituintes do que chamamos de educação. Muito do que constitui nosso comportamento, nossos costumes, nosso linguajar e nossos dogmas é parte da educação que recebemos, dos pais, parentes próximos, professores.

Enfim, quaisquer que sejam os responsáveis, nós todos temos uma educação, um conjunto de regras sociais e morais a seguir, uma base para a vivência e sociedade. Isso é óbvio, e eu poderia terminar o post por aqui se estivesse apenas pensando em falar sobre isso. Mas existe algo que chama mais minha atenção. Se for mesmo sabido o que é a educação, o que caracterizaria a falta de educação?

Pois bem, você pode me responder que é fácil. Que aquele que não segue o conjunto de “leis” que mencionei, em determinado momento, se torna mal educado. Aquele que não sabe se portar, ter a postura correta, que uma boa educação proporciona, tem falta de educação. Talvez se você sustenta este argumento, possas até estar correto, mas não por completo.

Se pensarmos neste conjunto de leis morais e sociais, percebemos que ele não é instituído. Seria talvez inventado, ou uma convenção, mas não existe. Existe código de ética, limitações, mas para exemplos banais de “falta de educação” não existe um código de regras e leis que torne a mesma uma falta de educação, propriamente. Darei dois exemplos.

cuspe1O primeiro exemplo é o do cuspe. Sempre quando eu era pequeno, até uns doze anos, ia jogar bola na quadra, com outras crianças, e sempre que corríamos e estávamos cansados, cuspíamos no chão. Tornava-se um hábito. O chefe da equipe cuspia, fazia até pose. Todos os outros repetiam, um a um, sem que fosse obrigação, apenas pelo prazer ou qualquer coisa que a infância proporciona. Lembro que quando saíamos daquele momento, daquele lugar, não tínhamos mais o hábito de cuspir no chão. Uma vez até cuspi, quando chegava em casa, no chão. Minha mãe, na mesma hora, me advertiu, dizendo que era falta de educação cuspir no chão, que era errado.

O segundo exemplo é um que até hoje faço. Não sei o porquê, ninguém propriamente me ensinou, mas acho que todos vocês também devem fazer. O hábito de não entrar calçado na casa de outros, quando se visita. Lembro que, quando era criança, entrar descalço ou calçado não fazia a menor diferença. Mas o tempo foi passando e, como que naturalmente, para seguir o que todos sempre faziam, e me sentir educado, comecei a tirar os sapatos para entrar na casa de outros.

Cito os dois exemplos porque não há um código ético, institucionalizado, de que não seja educado cuspir no chão ou entrar descalço na casa de outros. Há apenas as convenções sociais, que nós mesmos aplicamos e criamos, que validam os conceitos do que é ou não é educado. Não digo que isto é errado, mas partindo desse pressuposto, entendemos o que é realmente “falta de educação”.

O post está ficando imenso e precisarei fazer uma segunda parte. Na segunda direi realmente o que penso ser “falta de educação”. Aguardem, comentem, compartilhem, curtam, e sejam felizes. Espero que a leitura abra os olhos dos leitores para coisas antes não notadas.

segunda-feira, 12 de março de 2012

Dois ouvidos, uma boca, um cérebro

“Lembre-se que Deus nos deu dois ouvidos e apenas uma boca, para ouvirmos mais e falarmos menos, só o que é necessário.”

conselhosAcho que todos já ouviram algo parecido com o ditado acima. É normal se ouvir na infância, quando advertidos por tagarelar sem parar e não ouvir conselhos de adultos. Pois bem, é verdade, nós temos dois ouvidos e uma boca. Sim, nós devemos ouvir mais do que falamos. Mas tem algo muito mais importante, que nunca se insere nos conselhos e nos puxões de orelha, um adendo ao ditado, que o qualifica e o torna mais importante: temos um cérebro.

Nosso cérebro vale mais do que qualquer outra parte de nosso corpo, e muitas vezes não o valorizamos. É bem verdade que não conseguimos usar a totalidade de nossa massa cinzenta, que vivemos sem conseguir usar mais que uma porcentagem – não me arriscarei em falar quanto usamos. E mesmo sendo uma pequena porcentagem, ainda vale mais do que a totalidade de todo o resto de nossa capacidade física. E não valorizamos.

Quando digo que não valorizamos nosso cérebro não me refiro ao viés físico, a esforço mental, a stress ou coisas do gênero. Refiro-me à nossa mania de meter os pés pelas mãos, de fazer o que dá na telha, de seguir instintos e não pensarmos mais que ao menos uma vez e meia. Quando não raciocinamos e não pensamos nas consequências de nossos atos, nos tornamos vulneráveis. Essa vulnerabilidade faz com que nossa qualidade de vida decresça continuamente e não possamos ter segurança em nada que façamos.

Além de não pensar no que fazer, outro problema que há em não valorizarmos nossa massa cinzenta é o de “ouvir mais e falar menos”. Só com auxílio de nossa consciência, de nossa razão, que conseguimos acertar em “ouvir mais e falar menos”. Aliás, se não pensamos, se fazemos qualquer coisa de qualquer jeito, não filtramos o que ouvimos nem o que falamos. E se não filtramos, não adianta ouvir mais, se significar ouvir mais idiotices, conselhos ruins, coisa que não acrescenta em nada... e falar menos não adiantará também, se o pouco que falarmos não for adicionar nada a nada, for só piorar as coisas, as pessoas, os assuntos, os momentos.

Para finalizar, peço que os amáveis leitores sigam aquela regrinha, aprendida na infância e repetida aqui no início do post, mas que lembrem que temos também um cérebro, e que o uso deste determinará se seremos felizes ou não em seguir a tal regrinha.

quarta-feira, 7 de março de 2012

Ansiedade por falar

É notável na web que há uma sede por falar, por comentar, por interagir. Isso é bom, mas quando há base, há assunto. Pensando nisso, dessa pressa de falar qualquer bobagem que não acrescenta em nada, fiz esse vídeo. Confiram:

Ps.: O áudio está ruim, então coloquem o volume no máximo.

É o primeiro vídeo, não reparem em minha forma infima de se expressar…

Então, pessoal, veja o vídeo, diga o que concorda, o que não concorda, o que pode ser melhor, o que está bom, o que está ruim. Como é o primeiro vídeo, sugestões para melhorar são sempre bem vindas! Saudações Monologueiras!

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

A Completa Falta do que Fazer

Como blogueiro, há sempre aquele momento em que me vem um insight, uma ideia para post, daí eu anoto, e depois, quando estou em meu quarto, frente ao meu notebook, começo a escrever. Entretanto, sempre há aquela ideia que vem com força no insight, mas perde toda a força quando tento “pôr em prática”. Nem sempre a ideia é ruim, mas há vezes que não estou preparado para falar sobre tal assunto em tal momento.

O assunto deste post se encaixa nessa categoria. Há tempos que quis falar sobre isso, mas nunca tive capacidade de transforma-lo em um post. Talvez pela familiaridade que tive com o assunto, hoje consigo escrever, afinal nada é melhor que escrever sobre algo de nosso cotidiano.

Certo dia, li um post em um microblog tweet que dizia mais ou menos assim: “A vida é curta, mas é a coisa mais longa que você tem”. A objetividade da frase me pegara no dado momento, pois sempre pensei que a vida era curta e sempre dissera isso. Comecei a me questionar sobre isso e algumas coisas mais. Comecei a pensar no que falava e no que muitos falam. Aquela coisa de que “a vida é curta, temos que aproveita-la da melhor forma”, que todos dizem.

Depois de pensar, percebi que a vida ser longa ou curta é uma questão relativa. Relativa apenas por um fator: não sabemos quando iremos dessa para a melhor. E desconhecer a hora de nossa morte talvez seja a maior dádiva por nós recebida, pois podemos nos concentrar mais no presente que no futuro, que é incerto. Lembrando que o futuro é incerto, mas nós delimitamos o que será provável e improvável de acontecer.

1A vida ser curta ou longa não é o problema. Deveríamos rever nossa vida e pensar em como andamos aproveitando nosso tempo. Aliás, o que devemos procurar sempre é manter uma boa qualidade de vida. Muitas vezes, não aproveitamos nosso tempo da melhor forma e passamos a viver em um parasitismo infernal, sem fazer nada de nada, apenas enfurnados em um tédio constante, aderindo a uma mania de deixar tudo que é importante para depois, achando que sempre temos mais dois ou três minutos para descansar e esquecer as prioridades.

Como disse, ando familiarizado com o tema, pois ultimamente tenho deixado muitas coisas para depois, tenho usado meu tempo da pior maneira e isso tem piorado minha qualidade de vida. Não posso ser hipócrita e me apresentar como um ser humano perfeito que irá te ajudar a viver da melhor maneira, ou seja, como eu vivo, pois minha vida não tem sido nem um pouco a melhor possível. Deixo dicas para que você pense, repense, questione e pense novamente sobre alguns erros que cometemos sempre e que podemos corrigir. Prometo aqui que tentarei preencher meu tempo da melhor forma possível. Nossa curta longa vida precisa de bons administradores.

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Amigos, amigos… Opiniões à parte

Por experiência própria, sei como é normal ter vontade de agradar. Talvez não possa generalizar, pois sempre tem um ou outro individualista nato, mas na maioria das vezes, gostamos de agradar nossos amigos. Quando estamos com eles por perto, não queremos demonstrar tristeza, mesmo se no momento estamos desolados, não gostamos de falar de assuntos que despertem a raiva destes. Queremos acima de tudo o conforto, então não provocamos momentos indesejáveis.

Esse altruísmo é normal, além de necessário, e é um traço comum entre as amizades. O problema é quando há pessoas – e isso acontece – que confundem o altruísmo com a falta de senso crítico e personalidade. Talvez por insegurança, medo de perder suas amizades, há pessoas que não dão suas opiniões sobre nada que seus amigos falam. Apenas concordam com os tais, ou tentam.

Há também aqueles que ouvem os pontos de vistas dos amigos e tomam para si, por completo, sem filtragem, o que fora dito. E, por fim, há um terceiro e último perfil, o daqueles que, na discussão, apresentam seus pontos de vista e, no primeiro embate, mudam de opinião e apoiam o que for falado por seus amigos.bajuladorPois bem, deixemos claro que amizade não é bajulação. Como qualquer relação, amizade tem como base a aceitação. Eu não sou seu amigo porque você concorda com tudo que eu diga, sou porque aceito seu modo de pensar. Como ninguém é perfeitamente idêntico, todos diferimos uns dos outros em diversos aspectos. E essa distinção, essa diferença entre nós, que tem graça.

Não seria legal se todos pensassem, falassem, comessem, se vestissem, cantassem, pulassem ou gritassem da mesma forma. Cada pessoa é única, cada um com seus defeitos, suas qualidades, sua personalidade, seu caráter. Tudo diferente, tudo bem distinto. É normal que amemos alguém, que valorizemos a amizade de alguém, mas não podemos anular nossos pontos de vista, nossa maneira de pensar, nossa crítica, por causa de uma amizade.

Não devemos pensar que se dermos nossa opinião, perderemos nossos amigos, pois amigo de verdade é aquele que nos aceita, não aquele que nos quer massageando ego. Não seja besta de dar valor a pessoas que não te aceitam como você é, ou melhor, como você pensa. Seja feliz com sua personalidade, com seu senso crítico... E com amigos que respeitem você.

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Um mundo sem braços

DepressãoDepressão é uma das maiores causas de mortes na atualidade. Os suicídios aumentam drasticamente em diversos lugares. A autoestima das pessoas tem diminuído, em um mundo onde a educação é lastimável e os relacionamentos se tornam superficiais. A aceitação e a simpatia se tornam raras e as pessoas tentam preencher suas carências de todas as formas, mais inúteis. Nós excluímos, criamos padrões que nem nós mesmos nos encaixamos... Tudo para julgar. E quem não tem um braço é que se dá bem!

Simplesmente eu nunca vi uma noticia sequer que relatasse um caso de um individuo, sem braço, que se suicidou. Imagino que é óbvio que tal fato seja improvável de acontecer. Não ter um braço pode ser a chance de fazer sucesso. Simplesmente quem não tem um braço não tem cobranças. Como se fosse inferior, tudo que o cara sem braço fizer, mesmo que seja banal, será visto como conquista.

Seja gordo, raquítico, negro, japonês, feio ou bonito, nada disso importa quando não se tem um ou dois braços. As pessoas só reparam nos seus braços – ou na falta deles. Se era desafinado, desengonçado ou um completo imbecil antes de perder os braços, depois poderás ganhar concursos de música, dança ou redação, apenas por não ter seu braço.

Imagino que quem não tem um braço não reclama também de falta de amigos por perto, pois sempre tem algum inconveniente que puxa assunto com o dito cujo. Claro que, sempre, a falta de discrição das pessoas resulta na completa falta do que falar, levando as conversas sempre para o assunto do braço faltante. Mas diálogo é diálogo!

Se não tiver braços, qualquer projeto que você tente fazer não terá prazos tão malignos, e só sua vontade de fazer projetos será vista como superação. Não poderás ter quaisquer esforços físicos, pois todos te “ajudarão”, afinal na mente sábia da população, não ter braço significa não ter competência.

Enfim, não ter braços melhora nossa condição de vida, em um mundo, em termos, desprezível. Que todos nós percamos nossos braços, para que comecemos a perceber uns os outros e paremos de ser hipócritas. Esse post é apenas uma crítica, não só ao tratamento a pessoas sem braço, mas à uma hipocrisia social que é imposta em relações com pessoas que excedem à maioria.

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Peque, mas não deixe que descubram

Não, este não é um post de tema religioso. Talvez, a única correlação que pode-se fazer com o assunto deste post e as religiões, é uma certa mania de se meter em tudo que fazemos. Talvez com essa última frase, pude ter sido grosseiro, pude ter desrespeitado 1001 regras de conduta e daqui a pouco posso até ser processado. Pois é, é sobre essas possibilidades que quero me ater neste post.

Não gosto de ter opiniões “fast-food” em relações aos assuntos que tramitam  jornais e revistas. Não gosto de ler, por exemplo, sobre a posse da nova ministra da secretaria de política para as mulheres, e logo repetir a primeira opinião sobre o assunto. Gosto de ler a mesma notícia de diferentes fontes, ver os desenrolares e os motivos, até mesmo de ver artigos com opiniões diferentes, até criar o meu ponto de vista.

rafinha-bastosFaz alguns meses que estourou aquela notícia sobre o comediante Rafinha Bastos, de que ele fora afastado de programas de TV e processado por causa de um comentário, que alguns chamaram de piada, onde ele disse que “comeria a Wanessa Camargo e o bebê dela”. Faz também algum tempinho que a antiga ministra Iriny Lopes, hoje deputada, pediu a proibição da veiculação de um comercial publicitário, onde a modelo Gisele Bundchen tira a roupa e fica de lingerie, da marca proposta, para fazer com que o “marido” se esquecesse de seus gastos.

A ministra disse que o tom sexista da piada da propaganda era desrespeitador, que tratava a mulher como um objeto sexual. A sábia ministra não percebera o que milhões de brasileiros perceberam, que a ideia da propaganda era de valorizar a marca, de dizer que “toda mulher que usa aquela lingerie, tem seus maridos em suas mãos”. Um cliché que toda marca para mulher usa, mas que para nossa antiga ministra, mostrava um tom desrespeitador.

Na TV, não há mais aqueles momentos com comediantes quase sempre nordestinos, que faziam piadas sobre homossexuais, bêbados, loiras e até mesmo “paraíbas”, pois as emissoras agora têm medo de serem processadas. O comediante de hoje tem que fazer seu texto e antes do show, excluir todas as piadas que envolvam algo institucionalizado. Sorte nossa que ainda não existe o “Conselho Nacional das Loiras”. Ah, mas tem os direitos da mulher... É, então não teremos mais piadas com estereótipos, pois estereótipos agora são proibidos.

Não só piadas, mas opiniões. Se alguém diz que mulheres devem cozinhar para seus maridos, esse alguém é um machista que não sabe do que está falando. Ele não está atualizado com o que é correto em nossa sociedade, ele está desrespeitando. Se alguém diz que não consegue ver um negro porque houve um blackout, não há humor na falácia, apenas um preconceito enrustido, que pode ser despertado. A piada agora revela nosso “caráter vergonhoso”. Não há mais aquilo de pensar no que vai fazer as pessoas rirem, agora devemos pensar no que iremos falar, para que todos se sintam confortáveis.

Uma piada sobre loira contribui tanto para o aumento do machismo no Brasil quanto um agricultor do Peru contribui para o aumento do tráfico de drogas no mundo. Nosso país é considerado democrático, mas nos comportamos como socialistas enrustidos. E nossas opiniões são condenadas. Talvez agora pode ter alguém que acha que sou direitista, racista, homofóbico e machista. Esse alguém, pode considerar tudo que eu disse desrespeitador. Esse mesmo alguém também vai condenar todas as opiniões contra o exagero do “politicamente correto” e ler apenas o que lhe agrada.

A pior característica do politicamente correto é a fuga do debate. Como isso tem se tornado uma característica muito evidente nas opiniões alheias, posso começar a me preparar para o futuro e inevitável luto pela liberdade.

 

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

A Facilidade de Odiar

Há muito tempo que tive a ideia de fazer um post sobre este assunto. Talvez se na época que me veio a ideia, logo eu fizesse o post, não ficasse tão bom, ou ao menos não tão verdadeiro. De lá pra cá, tive muitas experiências que foram vitais para que eu tivesse a maturidade necessária para a criação deste post.

Nasci com uma habilidade, que às vezes considero um peso cruel. Eu observo e questiono tudo à minha volta. Na medida em que tenho relações de amizade com diferentes pessoas, observo também, como expectador, minhas relações. Desde momentos felizes a discussões e brigas. Sempre me questiono sobre o porquê de ter acontecido tal coisa, o que eu deveria ter feito ou deixado de fazer, ou se o que fiz foi certo ou necessário.

Discussão-de-RelacionamentoO que mais me incomoda e me induz a questionar é a facilidade com que relações acabam. Já vi amizades que duraram anos acabarem em um estalar de dedos. Filhos que após uma discussão com seus pais, saem de casa e se tornam rancorosos, melhores amigos que por um erro mútuo começam a se odiar, pessoas que se afastam de outras por ciúmes... Para um grau maior ou menor de erro, as amizades sempre estão sujeitas e suscetíveis ao término.

Não sei se é porque eu não consigo mais sentir ódio de ninguém – apenas falta de empatia –, mas acho que o sentimento mais fútil que existe é o ódio. Talvez seja por isso que seja fácil odiar. Se analisarmos como é fácil odiar, difícil amar e percebermos que odiamos mais por preguiça que por razão, talvez paremos com nosso sentimentalismo barato e comecemos a aplicar um pouco de racionalidade às nossas relações.

Para se construir uma amizade, deve-se haver investimento. A começar por mim, quando conheço uma pessoa, procuro me portar de forma que agrade, saber sobre seus gostos, suas crenças, seus ideais. Procuro estabelecer uma relação de confiança. Procuro criar oportunidades para rirmos, oportunidades para termos prazer, mesmo que nas coisas mais bestas, como andar em uma praça ou comer um cachorro quente.

A amizade necessita de um investimento mútuo. A amizade necessita também de muitas vezes uma abstinência moral. Momentos em que precisamos esquecer nossos dogmas religiosos ou morais, para não contrariar o amigo e correr riscos. Evitar os embates, saber o que irá faze-lo triste e, mais importante, o que vai tirar inúmeras gargalhadas dele. Ser amigo não é fácil. Ser inimigo é.

A receita para se construir uma relação de ódio é facílima. Basta apenas nos rendermos ao nosso ego, que conseguiremos odiar bastantes pessoas. Relações de ódio consistem em um profundo rendimento e apegamento à intolerância. Intolerância a reações, gostos ou opiniões diferentes. Geralmente, enquanto a amizade é construída por inúmeros momentos de alegria, o ódio se firma apenas com uma briga, com uma mentira, com um erro.

O ódio se torna fácil porque nos comportamos como idiotas. Vivemos momentos maravilhosos e grandes histórias com alguém. E esquecemos de tudo por um erro cometido. Nos tornamos julgadores, como se todos fossemos perfeitos e impassíveis de erro. Não damos a segunda chance, pois a partir de um erro, pensamos que tudo de bom que o outro algum dia fez para nós era mentira. Deixamos o ódio nos consumir e dirigir todos nossos passos.

Como não gosto de coisas tão fáceis e aprecio desafios, tento sempre conservar minhas amizades. Faça isso você também. Não deixe um erro acabar com uma relação de confiança. Maturidade é escolher o melhor caminho, não o mais fácil. Odeie o caminho fácil do ódio.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Nunca vi, nunca ouvi, não conheço e odeio

Como qualquer pessoa, convivo com gente de todo tipo. Tem os mais liberais, os mais anárquicos, os mais conservadores, os mais socialistas. Também discuto muito, gosto disso. Gosto de embates de opiniões, de procurar um ponto em comum entre minha opinião e as alheias, de rever meus conceitos e perceber o quanto estou certo e, principalmente, o quanto estou errado. A partir da massificação de um determinado tipo de gente, fiquei mais seletivo para as discussões. Com esse tipo, não discuto, sou rude e ignoro logo.

Faço isso porque eles ferem a regra natural da discussão: Se for criticar, discutir ou abordar algum assunto, tenha algum conhecimento prévio. Parece óbvio; como um padre não discute sobre fotografia, um publicitário não discute sobre arquitetura. Só que ultimamente, com o crescente aumento – é, foi uma tautologia – dos pseudo intelectuais e dos metidos a alternativos, tornou-se comum a mania de falar do que não se conhece.

Lembro de uma vez, quando eu discutia sobre música com um indivíduo. Eu tinha visto as músicas do celular dele, que estava encharcado de Popboys e Popgirls. Muito Jonas Brothers, Manu Gavassi, Simple Plan, Hori, e por aí vai. Sem querer criticar o que ele estava ouvindo, apenas disse que aquilo não fazia muito meu estilo, que prefiro mais o punk, grunge, hard rock, metal... Ele disse que também curtia rock, mas que aquelas músicas tinham sido introduzidas no seu celular, por sua irmã. Acreditei, pois eram músicas do feitio do público feminino pré-adolescente de baixo QI (com todo respeito, se tiver alguém que goste).

Então perguntei para ele o que ele gostava no Metal. Ele disse que curtia Iron Maiden, Slipknot e Metallica. “Ele gosta de variedade”, pensei. Três bandas com estilos bem distintos. Como das três bandas, ouço mais Metallica e Iron, perguntei pra ele que músicas ele gosta mais das bandas. “The Number of the Beast” e “Master of Puppets”. “Dois grandes hits das bandas, que bom”, pensei. Logo depois, a última pergunta. Perguntei se ele já ouviu os álbuns que continham essas músicas. Ele disse que só tinha ouvido duas músicas do Iron Maiden e uma do Metallica, no youtube.

poser_by_movieaddictFiquei embasbacado com a pretensão que ele teve. Como alguém pode se dizer fã de uma banda ouvindo uma música, no youtube!? Quando alguém se diz fã, acho eu, é porque conhece o trabalho do artista, gostou do que ele já produziu até agora, ao ponto de sempre estar buscando mais sobre o artista, conhecendo. Esses valores clássicos devem estar mesmo ruindo com nossa nova geração.

Hoje posso dizer que sou mestre em pedagogia após ler no wikipedia sobre isso, posso dizer que vou fazer uma pesquisa sobre Geologia, apenas buscando no google e clicando no primeiro resultado. Posso dizer que sou fã de Bob Dylan, apenas ouvindo duas músicas dele no youtube. É tão fácil discutir sobre algo hoje, sem nenhum embasamento, com apenas alguns parágrafos lidos.

Futilidade do Conhecimento, essa é a nova “cultura” das massas atuais. É a facilidade do resumo, aliada à dificuldade de ter uma visão mais profunda. É a pressa de ter algum resultado inferior, aliado à preguiça da especialização. Infelizmente isso tem se tornado alastrador. Eu continuo com meu pensamento, de discutir só sobre o que sei, de pesquisar mais e mais, de não falar qualquer besteira sobre qualquer coisa. Homem das cavernas eu? Talvez... Mas se quiser discutir sobre isso comigo, tenha embasamento, do contrário não te ouvirei.

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Nós, Cachorros, Nós, Gatos, Nós Nós Nós

*Post escrito há um tempinho, postado agora…

Faz pouco tempo que uma notícia ganhou notoriedade pública, através das redes sociais, do youtube, e depois nos jornais de TV, impressos. Uma mulher espancando um cachorrinho diante de uma criancinha. Tenho certeza de que todos lembram como foi a repercussão do caso, principalmente nas redes sociais, onde quase que a totalidade das pessoas publicavam ofensas à tal mulher. Isso tudo me fez refletir e pensar neste post.

Quando ouvi sobre aquela notícia, procurei saber mais sobre o assunto e perguntei a uma amiga, que estava muito atenta a tudo que estava acontecendo. Esta me revelou sua indignação, me contou mais sobre o que houve, deu sua opinião. Ela estava muito irritada com tudo e eu a consolei. Estava irritada porque no dado momento tudo parecia muito injusto, a mulher não fora presa, pelo que parecia ela iria sair impune e não era possível se conformar com isso.

Após pensar muito sobre o caso, quero agora fazer uma reflexão sobre algo que, para mim, é a melhor lição que podemos tirar de tudo o que aconteceu.

O que você tem feito para melhorar o mundo?

Parece um discurso da Legião da Boa Vontade, mas quero sim me ater a isto... O que temos feito para melhorar o mundo?

Cada vez mais os jornais estão recheados de casos que podem acabar com nossa estrutura, um mais bárbaro que o outro. Sempre quando acontecem, pessoas ficam divididas em julgar a justiça, a polícia ou mesmo os autores dos crimes. Não quero me ater a julgar aquela mulher, pois acho inútil gastar caracteres com pessoas que não os merecem.

O tema deste post se resume a esta pergunta, pois em um desses últimos dias, discutindo com meu pai sobre este caso, ele disse “é, mas fazem pior com pessoas e ninguém fala nada”. Achei incoerente aquele discurso, mas depois vi que muitos falavam a mesma coisa. Daí pensei que ele estava correto, mas percebi a errata do discurso. Cachorros, gatos, pessoas, o que for, sempre terão quem os defenda e quem os condene. O problema não é escolhermos quem ou o que ajudar.

ong-proteção-animal-01O problema maior, que mais deveria ser discutido e que mais merecia notoriedade é o nosso egoísmo, nossa preocupação consigo. Fazemos tantos planos, pensamos em nosso futuro, estudamos, compramos, vendemos, mas nunca fazemos tudo isso pensando na ajuda ao próximo. Alguns de nós dizem que amam o próximo, baseados no argumento de que dão algumas mixarias para ONGs ou orfanatos, o que não dá nem em 10% de seus salários.

Melhorar o mundo não é isso!

Acho que se fizéssemos qualquer coisa, mesmo que a menor e, vista por outrem, sem valor, e a fizéssemos sem esperar nada em troca, pensando no bem de próximos e não no nosso, sabendo que podemos perder tempo, dinheiro, até mesmo amigos, mas que o que fizermos poderá ajudar a melhorar o nosso mundo, a nossa realidade, a nossa sociedade, se o pensamento de todos fosse este quando pensassem em ajudar alguém, o mundo seria bem melhor.

Não sou funcionário do Greenpeace ou filho da Luiza Mell, mas quero que todos percebam que nada irá mudar se não mudarmos primeiro. Os crimes, as dissenções, as hipocrisias, os sistemas complexos e opressores; nada acabará se não sairmos de nossas cadeiras, pararmos de só comentar, de só opinar! Pró-atividade, é disso que estamos precisando! Há necessidade de profissionais qualificados nesta área.