terça-feira, 12 de junho de 2012
Despedida
Fico imaginando se não existissem despedidas, se apenas nos afastássemos e não relatássemos os motivos, nem mesmo deixássemos as pessoas a par da situação, de nosso afastamento. Talvez fosse melhor, talvez possibilitássemos com isso um resquício de esperança, um pouco de fé de que não acabou, de que aconteceu alguma coisa, de que não, ele não foi – se ele tivesse ido, teria dito adeus. Talvez seria pior se não nos despedissemos. A fé e a esperança são ótimas, mas saber que está alimentando a fé de alguém em algo que já acabou deve ser pior que dizer adeus.
Falo tudo isso porque este é o último post do blog. Até aqui foram 189 postagens, 118321 visualizações únicas, 1 ano, 10 meses e 7 dias. Até aqui foram textos incrivelmente mal escritos e horrorosos, textos inteligentes e originais, textos emocionantes e felizes, textos chatos e absurdamente equivocados. Até aqui foram 487 comentários, 176 seguidores. Até aqui foram quatro autores, quase cinco, sendo que só dois que continuaram até hoje. Muita coisa rolou neste nosso recinto.
Acho difícil dizer que este é um blog pouco povoado, que é mais um blog idiota na internet. Sei que nunca chegamos – e dificilmente chegaríamos – ao nível dos blogs mais acessados da web, aqueles que acumulam milhões de seguidores, milhões de postagens, fama e sucesso. Sei também que tiveram comentários que até hoje me marcaram, conversas com leitores que até hoje estão em minha mente, que me alegraram.
Sim, isso é uma despedida. Deste blog. Não nos hospedaremos mais no blogger, não seremos mais o “Monólogos Escritos”, mas continuaremos escrevendo (e mais outras coisas) para a internet. Aguardem. Simplesmente o blog mudará um pouco. O formato ainda não foi discutido, mas vocês logo saberão. Quem nos acompanhou desde o início, ou mesmo desde a semana passada, ou mesmo quem pesquisou “monólogos” no Google e clicou em nosso blog, acesse e curta a nossa página do facebook e aguardem. Vocês não vão se arrepender.
quarta-feira, 30 de maio de 2012
Orkutização
Hoje não quero escrever algo sensacionalmente e bem escrito, porque não gosto de tarefas difíceis para alguns, impossíveis para esse blogueiro que vos escreve. Este post é sobre um assunto que já se tornou clichê em vlogs e tumblrs, que continua sendo modismo no facebook e que me importuna o bastante ao ponto de me fazer criticar por aqui.
Não me considero um webviciado, mas utilizo redes sociais (até mesmo o pinterest) e fico a par do que é escrito e dito pela maioria nestes recintos. Desde que o Orkut ‘perdeu’ para o Facebook, que o twitter e o facebook começaram a ser as mais utilizadas redes sociais na internet, e que mais e mais vlogs começaram a surgir, a internet pode ser dividida em dois extremos.
Esses extremos se caracterizam pelo lado que gosta e pelo lado que odeia. O lado gostante normalmente se acha superior, pois em determinados momentos, em relação a determinados conteúdos, conferem, comentam, parabenizam os criadores e divulgam. Para estes mesmos conteúdos, existe o lado odiante, aquele que não faz nada mais que assistir, conferir e... xingar a mãe do produtor de conteúdo, manda-lo para lugares não muito legais e assim poluir comentários em diversos lugares.
O lado gostante denomina o lado odiante como orkutizado. Costuma-se prevalecer em determinados momentos um ou outro lado. O lado gostante se atém a criticar todos os costumes do lado odiante. Tudo o que alguém, que xinga o que eu gosto alguma vez, pensar, fazer, falar ou publicar será orkutizado demais, será inferior ao meu pensamento superestimadamente perfeito. E assim vivemos essa hipocrisia.
Essa dicotomia em relação ao público online, esse pensamento de extremos, não é o meu, eu apenas me referi ao que é pensado atualmente. Acho que a internet é um saco de farinha, onde poucos não são grãos, e esses poucos não tem voz. Isso mesmo, é tudo farinha do mesmo saco.
Ao mesmo tempo que um vem e posta frase de Raul Seixas ou Saramago no facebook, esse mesmo cara xinga mães de famosos no youtube, critica o país no twitter… O problema dessa massa, em minha opinião, não é suas atitudes nem suas críticas. Não me incomodo com frases clichês sobre política publicados no facebook, por ateus querendo expor suas ideias no twitter, por gente xingando mães de famosos no youtube. O que me incomoda é a falta de autonomia online.
Ao mesmo tempo em que redes sociais possibilitam a usuários uma voz, um modo de falar o que pensam, retira a autonomia dos usuários. Pessoas começam a repetir pensamentos, a repetir atitudes ou mesmo a não contribuir em nada com nada. Pessoas se tornam apenas números para redes sociais, pois simplesmente acham algumas coisas que veem geniais e não as criticam, não adicionam opiniões próprias, não pensam por si.
Era isso que eu queria dizer. Se o post ficou ruim, leitores, me perdoem mas eu precisava escrever sobre isso. Até logo!
quarta-feira, 23 de maio de 2012
Obsessão por agradar
Estou sumido a algum tempo do blog. Nem posso atribuir a culpa à minha faculdade, pois ela está em greve. Vivo o drama que outros milhares de universitários neste país estão vivendo, de suas universidades, federais principalmente, estarem em estado de greve, graças a um governo, digamos, sem planejamento algum. Não quero entrar neste viés, pois não é isso que quero abordar aqui neste post.
O que quero abordar, ou melhor, perceber, (co)juntamente a vocês, é a dura realidade existencial de todos nós: não sabemos aproveitar a liberdade.
Vivemos sempre com condições impostas por algum grupo. A família, a escola, a religião, o país... Cada grupo que pertencemos nos dita regras sobre o que devemos e não devemos fazer, como podemos ou não nos comportar. Isso não é novidade. Entretanto, há determinados momentos em nossas vidas em que podemos decidir continuar seguindo este grupo ou mesmo desistir deste grupo. Há essa liberdade.
Por exemplo, mesmo que cresçamos em determinada religião, nada nos impede de repensarmos e mudarmos de religião, ou mesmo adotar a postura de não possuir religião e não acreditar em Deus ou o que quer que seja. Há momentos em que começamos a usar de nosso senso crítico veementemente e começamos a questionar se as coisas são mesmo como nos foram apresentadas, se é mesmo correto, por exemplo, aceitar tudo que nossos pais falam. Chamo esses momentos de esclarecimentos.
A partir do esclarecimento, podemos (re)afirmar nossa crença na fidedignidade de determinado grupo, ou mesmo podemos desistir de pertencer a determinado grupo. A partir destes momentos, procuramos outros habitats, meios de nos satisfazer existencialmente, grupos que se aproximem de nosso ideal ou que nos conquistem. O problema da obsessão por agradar começa nestes momentos.
Simplesmente, quando nos encontramos na posição de escolha, de poder decidir qual rumo seguir, qual grupo pertencer, e escolhemos tais meios ambientes, sentimos-nos livres. Essa sensação de liberdade é notória quando nos sentimos realizados por termos encontrado pessoas, tribos, lugares, que nos aceitam e que nos satisfazem. A partir do momento em que começamos a pertencer a estes novos grupos, mais corretos e perfeitos, sem perceber, somos introduzidos a outras regras e de novo voltamos a ser ditados sobre o que podemos e o que devemos fazer.
Valorizamos tanto estes novos habitats que não questionamos as novas regras. Começamos a, por exemplo, nos vestirmos do modo imposto, adequarmos nosso vocabulário, ouvir, ver, ler o que indicam. E muitas vezes não é uma regra instituída que nos faz nos adequarmos à nova maneira, mas apenas uma obsessão por continuar pertencendo ao grupo, por não desagradar, por não pisar na bola e dizer algo que não vão concordar. A sensação que antes fora de liberdade agora se torna uma nova obrigação, e não percebemos que nossa individualidade escorre por água abaixo.
Não exemplifiquei muito, mas acho que ficou claro o que pretendi perceber (co)juntamente a vocês. Os grupos, os habitats, os meios ambientes, todos estão sempre presentes em nossa vida e não dá para nos livrarmos disso. O que importa dizer é que é muito mais valioso conservarmos nossa individualidade e nossa personalidade que virarmos “marionetes ambulantes”. Simpatize com grupos, com pessoas, com tribos, mas não prive sua opinião, seus gostos pessoais, para agradar quaisquer regras instituídas. Esclareça-se e não se torna massa indecisa.
domingo, 13 de maio de 2012
Alguns motivos para não se comemorar o dia das mães
Fazem hoje exatamente treze dias que não faço uma postagem por aqui. Pra não usar mais que um parágrafo para explicar o porquê de minha ausência, digo apenas uma coisa: Parmênides não me deixou postar nada. Se algum leitor quiser entender melhor o que Parmênides tem a ver com minha ausência, és livre para me perguntar no facebook, ou no twitter... Ou de quaisquer forma possíveis. Use a criatividade!
Calhou de no dia que volto à minha vida, ser um dos dias mais importantes que conheço em nosso calendário, o dia das nossas progenitoras. É difícil fazer um post em relação ao assunto sem ter uma dose de clichê e de chatice. Não que os clichês sejam ruins, afinal são um dos melhores clichês feriadescos. Acho bem piores os clichês para o dia da consciência negra, ou para o dia das crianças.
Pois bem. Neste blog, outrora eu já fiz um post sobre o feriado, absurdamente carregado de clichês e de frases feitas. Hoje não quero fazer isso. A ideia que tive para comemorar este dia com vocês, escrevendo este post, é a de mostrar alguns motivos para não se comemorar o dia das mães. É isso mesmo. Não me interpretem grosseiramente. Eu comemoro o dia das mães, acho minha mãe uma das pessoas mais geniais que esse mundo já conheceu ou poderá conhecer, mas quero desconstruir o sentido de alguns dos motivos mais usados para comemorar o dia das mães. Então, farei uma lista.
1º - Não comemore o dia das mães porque ela é sua mãe
Há motivo mais evidente para se comemorar o dia das mães do que este? Vejo diversos filhos entregando seus presentes, declamando uma meia dúzia de frases tocantes do tipo “você sonhou comigo, me criou, me gerou”... e blá blá blás carregados de bombons e corações de pelúcia. Entenda que é óbvio que você comemora o dia feito para sua mãe, mas você não comemora pelo fato dela ser sua mãe. Um feriado de tal relevância não poderia ter um motivo tão banal.
2º - Não comemore o dia das mães porque você não consegue viver sem ela
Pior que o primeiro motivo, é esse. Haja falta de criatividade e amor. Detalhe que este é ainda mais usado. Hoje, milhões de filhos na face da terra usarão esse motivo para comemorar o dia das mães, dizendo para suas progenitoras frases como “mãe, não imagino como seria minha vida sem você”. E são justamente esses que normalmente pedem seus “momentos de privacidade”, seus “espaços”, que discutem com suas mães porque elas abrem suas mochilas ou conferem seus perfis em redes sociais. Também não imagino minha vida sem minha mãe. Não sei como conseguiria estudar e ainda fazer minha comida, passar e lavar minha roupa! Você não comemora o dia reservado à sua mãe porque ela é um “presente de Deus” feito para resolver seus problemas.
3º - Não comemore o dia das mães porque ela é sua amiga para todas as horas
Esse é o último motivo que vou abordar. Quantas vezes vejo gente comemorando o dia das suas progenitoras e as referindo como as “suas primeiras amigas da vida”, “que sempre podem contar”, que “sempre podem confidenciar tudo”. Há algo mais hipócrita? Não quero generalizar, mas grande parte das pessoas, normais, NÃO CONTAM TUDO QUE FAZEM à sua mãe. Normalmente, temos como confidentes alguns amigos. Não vamos ser patéticos de inventar essas mentirinhas clichês, pois nossas próprias mães sabem que não somos ABSOLUTAMENTE confidentes delas.
Você pode questionar todos esses motivos, achar que eu exagerei, ou mesmo se questionar sobre qual é realmente o motivo que eu acho ideal para se comemorar o dia das mães. Simplesmente, acho que não há este motivo. O dia das mães não é um dia para ser reservado para comemorar o fato de você ter sua mãe e todos os seus feitos maravilhosos, é bem mais que isso. O dia das mães é um dia para pensar. Pensar no quanto deixamos de valorizar nossas progenitoras como elas merecem, nos outros 364 dias, 365 em anos bissextos.
O dia das mães é para pensarmos em nossa relação com elas. Não é para valorizarmos elas porque elas nos geraram, ou porque elas nos ajudam, ou porque elas são nossas amigas, mas simplesmente para admirarmos a vida delas. Pense em um aniversário. Você já viu um convidado chegar ao aniversariante e dizer “te desejo um feliz aniversário, porque você me ajuda sempre, porque você fez tal e tal coisa para mim”. A lógica do dia das mães é a mesma do aniversário, é também a de comemorar o fato de tal pessoa existir, e dessa existência completar a sua vida.
Posso dizer que minha vida, o que eu aprendi, o que eu sou, só tem sentido pela colaboração de minha mãe. Posso dizer que não vou concordar com tudo que ela diga, que não vou confidenciar tudo que faço a ela... mas que é ela a minha melhor amiga, no sentido de que nunca desconfiarei de seu amor por mim. Posso ter essa segurança, porque foi ela que me pegou nos braços, que me viu dar meu primeiro passo e falar minha primeira palavra. É ela que teme pelos perigos que posso correr e que fica feliz com meu sorriso, sem nenhuma hipocrisia. Tá, usei frases clichês, mas nem foram tantas.
segunda-feira, 30 de abril de 2012
Ócio Necessário
O homem é um ser em atividade, já pensava Heidegger, sempre sendo ou fazendo algo, se relacionando com o que chama de mundo. Fazendo uma leitura vulgar, menos relacionada à ontologia e a questão do ser, mas com foco na vida cotidiana, podemos perceber que é bem verdade que estamos sempre em atividade. Acordamos, não pensamos muito e nos envolvemos na primeira atividade diária. A partir daí, surge uma sequencia extensa de atividades a serem realizadas, prorrogadas, adicionadas, esquecidas. E por fim, dormimos, para no outro dia retornarmos a esse ciclo chamado realidade cotidiana. E isso nunca acaba.
O homem se acostuma ao trabalho, à escola, à faculdade. Ao começar cada atividade, se sente meio estranho, tendo que entender um pouquinho de como fazer tal coisa, como se comportar, mas logo se adapta aos meios, às cobranças, à velocidade. Seria um equivoco dizer que estas atividades não param. Existem os fins de semana, os feriados, as férias, as folgas. Habituamo-nos a aguardar esses “dias livres” para descansar. E quando vem o dia do descanso, trocamos a atividade do trabalho ou da escola por outras – tão ritualescas e obrigatórias quantas – atividades. Não há o descanso.
Simplesmente o homem daquele e deste século não está acostumado ao ócio. Somos como gerenciadores de tarefas, sempre com inúmeras atividades em andamento. Não usamos – porque não treinamos – parte do tempo para nos dedicar apenas à atividade de pensar. Parar para ver TV, ouvir uma música, ler um livro ou praticar um esporte são as formas de descanso, porque são atividades supérfluas, mas ainda atividades. Parar pra pensar é apenas parar e não fazer nada, segundo o senso comum. Pensar não é visto como uma atividade; não deveríamos, portanto, ficar pensando tanto, quando podemos fazer alguma coisa, não é mesmo?
É cultural em nossa sociedade que valorizemos profissionais cujas atividades envolvem o pensamento, mas visem atividades ou produções significativas. Quando vemos as ciências humanas – filosofia, antropologia, sociologia – admiramos menos, afinal é legal que eles pensem, mas bem que poderiam fazer alguma coisa além. Muitas vezes o ato de pensar é visto como empecilho. Quantas vezes já ouvi torcedores gritando “não pensa, chuta!”, como se pensar fosse algo distinto de fazer, como se pensar fosse algo secundário.
Parar para pensar é necessário. É necessário para que façamos o que nos faz diferente de qualquer outro ser até hoje conhecido. Só o homem pode parar e pensar sobre si, sobre os outros, sobre o mundo, sobre a natureza, sobre a realidade. O animal não tem essa atitude reflexiva, não que saibamos (para isso, deveríamos investigar, parando e pensando). Parar um pouco para pensar nos porquês, nos comos. Pensar é uma forma também de produzir, só que em longo prazo. Não é produzir algo para agora, mas é repensar o próprio eu e começar a rever valores e comportamentos próprios, identificar possíveis erros, procurar respostas, formar uma consciência crítica, atitudes que terão grande valor futuro.
Tire um momento do dia para o ócio. Ócio não como descanso, mas como parar para pensar. Reflita sobre o que você quiser, sobre o que lhe vier a mente, mesmo que seja a coisa mais banal. Faça questionamentos, desconfiando sempre das respostas que vêm facilmente, investigando mais a fundo. Cultive esse exercício. Pensar é bom e faz bem à saúde existencial.
sábado, 21 de abril de 2012
Entre espirros e enxaquecas
Sabe aqueles momentos da vida em que você não sabe se vai continuar respirando, porque tem alergia toda vez que há uma obra, envolvendo gesso, em sua casa, e sua mãe inventa uma obra dessas para seu fim de semana? Então, é essa a minha situação atual. Não bastasse isso, entrei numa furada por ter confiado na mesma. Ao invés de estar com amigos em um bom evento, fui enrolado, juntamente com minha progenitora, por uma ingenuidade da mesma de achar que se pode confiar em amigos que não fazem questão de falar com ela há mais de cinco anos e aparecem do nada, como se nada tivesse acontecido.
Despojada minha raiva, temporária, agora posso chegar ao tema do post. Que não existe. Pois é, não há tema hoje, não há assunto para ser discutido. Acho improvável um ser humano que enfrenta uma crise alérgica ter criatividade para escrever algo, desenvolver alguma opinião ou crítica.
Hoje fui surpreendido quando li as notícias sobre o Metal Open Air, evento de rock que ocorreu em Porto Alegre. Muitas bandas que não foram tocar, cancelando na última hora, uma falta de organização impressionante, tumulto, violência... E mais um evento mal organizado. O triste é que não tarde a bola da vez dos microblogs será criticar o metal, ligando o movimento à desordem e ao fracasso, como se roqueiros estivessem todos destinados a não saber se organizarem.
Isso já deve estar acontecendo. Afinal, preconceito é o que não falta nessa web. É muita oportunidade para falar o que se pensa. E ninguém liga para o respeito ou impõe limites. Não há filtro, não há bom senso. Não vou dizer que está se dando liberdade a quem não merece, pois fico próximo de uma censura, o que sou contra. Que xinguem, que berrem, afinal, quem realmente pensa e tem um pouco de juízo, não liga para comentários bestas.
Internet é bem isso, uma terra com muita gente. Ou não, internet não pode ser vista como uma única terra. Talvez sejam terras, no plural. Muitas terras, cada uma com suas regras. No twitter você pode xingar, afinal seus amigos do facebook não estão lendo o que você diz. Ao menos não os amigos chatos. No facebook, temos que postar manifestos políticos e sociais, para no twitter falarmos dos looks dos famosos. E no tumblr, no tumblr eu posso publicar o que eu sinto, afinal não terá aquele povo do twitter enchendo-me o saco...
Aliás, quem sou eu na internet? Não existe esse único “eu” na internet. Em cada lugar, cada pessoa, muito diferente da de outra rede. A internet proporciona esse uso de máscaras. Se bem que não há o “verdadeiro eu”. O que há é o que as pessoas veem, não é mesmo? Quantas vezes você já quis usar aquela camisa, ouvir aquela música, mas não o fez. Não o fez porque seus amigos não gostavam disso, ia soar mal, não é mesmo? Tem que seguir o que o grupo dita. Isso não é censura? Ah, nem tanto, certo? O que é liberdade afinal?
Cada um tem um conceito diferente para o que é liberdade, resta encontrarmos o que há em comum em todos. Será que é assim mesmo? Ou será que todos estão errados e a liberdade é algo bem diferente do que pensamos? Mas pera lá, liberdade não é algo físico, que pode ser tocado, é uma ideia. Eu tenho uma ideia, você não sabe a ideia que tive, pode tentar entende-la no momento em que eu te contar. Mas quem garante que contei tudo? Se liberdade é uma ideia, de quem será? A enxaqueca começa a subir, já espirrei umas mil vezes nos últimos vinte minutos. A noite continua a durar e nunca acabar. O sol virá e não trará consigo a paz. Afinal, o que será essa coisa estranha e desconhecida que chamamos de paz?
sexta-feira, 20 de abril de 2012
Misturando tudo
Estou passando por um momento novo em minha vida. Quando se entra em uma universidade, percebemos que o ritmo agora é outro. Não só a liberdade é maior, como as responsabilidades também. Estou me graduando em filosofia. Com isso, a situação muda ainda mais. As discussões tornam-se mais frequentes. O teor das discussões se torna diferente. E a cabeça voa ainda mais.
Um ensinamento que tive, e aqui repasso, com algumas mudanças, é o que se refere ao título deste post. Sim, misturamos as coisas, e disso sabemos. Acho que todos que leem esse blog já se viram em situações onde perceberam que “trocaram uma coisa pela outra”, se confundiram, misturaram as coisas. Perceber isso parece algo natural e obviamente simples, porém misturamos também os discursos sobre as coisas, e isso é bem prejudicial (ou mesmo incoerente).
Uma pessoa diz que não acredita em Deus, por exemplo, e usa o argumento de que não pode ser provado cientificamente, que não é lógico acreditar quando a ciência não pode atestar. Isso é um exemplo de mistura de discursos. A forma com que a religião constrói sua concepção de realidade não é a mesma que a ciência constrói, logo não podemos misturar os discursos e tentar atestar uma verdade de um pela forma de atestado feita pelo outro discurso.
Seria como pensássemos que pudéssemos analisar um quadro surrealista da mesma forma que analisamos sintaticamente uma frase. Ou se pensássemos ser possível analisar a utilidade da água, de forma científica, enquanto estamos nos afogando no vasto mar. Isso é mistura de discursos, isso é confusão. Devemos entender que podemos analisar a verdade de algo apenas pelo contexto em que entendemos esse algo.
Um cientista vê a água como H2O, um padre vê a mesma como objeto de batismo espiritual, um homem sedento vê a mesma como salvação de sua vida. Em cada relação, a água é uma coisa diferente, algo distinto. O cientista não pode dizer que o padre vê a água incorretamente, pois o padre não está em uma relação cientifica com o objeto.
Não precisamos aceitar todos os discursos. Por exemplo, podemos escolher se vamos seguir ou não uma crença religiosa, se vamos aceitar o que a ciência diz sobre as coisas, podemos questionar se é correta ou não a utilidade de algo para tal pessoa, mas devemos primeiro entender o contexto em que a relação é dada. Não há uma única verdade, mas há verdades, no plural, e as verdades dependem da relação estabelecida. Um cientista, por exemplo, pode analisar cientificamente uma teoria cientifica, e entender se é correta ou não, segundo a ciência. Imaginem como seria um cientista contestando uma teoria porque a bíblia não a valida.
Você pode perguntar: mas então, porque o papa, por exemplo, pode dar a última palavra em assuntos científicos, como pesquisas, se ele é autoridade religiosa, uma outra relação de verdade? Eu só posso responder que infelizmente, não vivemos em um mundo que entende a verdade de forma relativa... Por isso há padres autorizando pesquisas científicas, cientistas tentando provar a veracidade bíblica, críticos analisando o sentido de obras de arte (que não trabalham com o sentido, por exemplo, ou trabalham, em uma logica diferente, paradoxal). Nem tudo é perfeito, infelizmente.
segunda-feira, 9 de abril de 2012
Esforçar para simplificar
Não posso dizer que sempre, mas há muito tempo que reflito sobre a vida dos bebês. Há cerca de um ano, por meu priminho estar aqui em casa durante quase todos os dias, em todas as semanas, isso tem aumentado. Bebês são imprevisíveis, dão valor a coisas “insignificantes”, não se preocupam com o perigo, riem quando vocês os repreende e, não importa se você está cansado ou não, sempre pedem para que você os carregue no colo e os coloque “nas alturas”.
Ontem eu vi uma cena incrível. Após o aniversário de um ano do meu primo, ele ganhou uma bola pequena, de pano. Ele não larga da bola até agora. Ele ri, joga a bola para o alto, a rola... E acha a coisa mais prazerosa e divertida do mundo. Acho que talvez é mesmo a coisa mais prazerosa do mundo: vê-lo rindo com coisas que nunca paramos pra perceber, ou dar valor.
Fico pensando no momento em que ele crescer mais um pouco, começar a se cansar das coisas facilmente, a perguntar sobre tudo, ter as suas respostas, deixar de perguntar, se acostumar com o mundo e começar a se cansar de tudo e todos. Enquanto isso não acontece, curto cada momento, cada riso, cada bola quicada, cada passo dado. E fico me perguntando: não seria mais fácil se nos esforçássemos mais para viver como eles?
Esforçar para simplificar, essa deve ser a solução. O que vejo de gente cansada da vida, das decepções, dos esforços em vão, das palavras não ditas, dos erros “irreparáveis”... Se simplificássemos mais a vida, seria tudo tão fácil. Se começarmos a perceber valor e utilidade nas coisas mais banais, se dermos valor aos momentos com nossos amigos e familiares, como se fossem os últimos momentos de nossa vida, tudo seria mais simples. Muitas vezes os problemas vêm porque nós complicamos tudo.
Viver uma vida simples não é fácil, por isso digo que é preciso ter esforço. Afinal, fácil é ignorarmos, odiarmos, julgarmos, maltratarmos, discriminarmos... Amar, respeitar e aceitar é tarefa difícil. Mas vale a pena. Uma das únicas certezas que temos é a certeza da morte, como diz Epicuro. O mesmo filósofo diz que não devemos nos preocupar com isso, pois quando nos preocupamos com a morte, nós sofremos durante a espera, não durante o acontecimento. Viver honestamente, ter prazer e felicidade. Esse deve ser o melhor sentido para a vida.
O bebê consegue valorizar as coisas porque ele não as conhece, porque ele acha que tudo é uma surpresa, que tudo é novo. Nós não valorizamos porque já sabemos tudo, nada é novo, tudo é tedioso e chato. Com isso, ficamos ansiosos pelo novo, mesmo que o mais fútil o seja. Então, esperamos o novo produto, a nova moda, o novo conceito, e nos maravilhamos por segundos, para depois buscar outro algo novo.
A novidade é apenas uma questão de perspectiva, uma questão de como vemos as coisas. Tudo pode ser novo se começamos a dar outro sentido. O tédio acontece porque estamos cansados de ver as coisas como elas se apresentam e não sabemos como vermos de outro modo. E é simples. Basta apenas anularmos nossa visão e repensarmos a utilidade do que vemos. Um pôr-do-sol pode simbolizar refúgio ou fim do expediente do trabalho, uma comida deliciosa pode ser agradável ou apenas a necessidade de se comer logo porque se está com pressa, uma conversa com um amigo pode ser a chance de ouvir e falar coisas agradáveis ou apenas uma rotina.
Então, caro leitor, comece a tentar perceber que o que é tão banal pode não ser, e o que é importante, pode também não ser tão importante. Valorize mais pessoas que coisas, mais momentos que rotinas. E tente encontrar prazer em momentos que pareçam maçantes, aplicando um outro sentido a eles.
sábado, 31 de março de 2012
A Ciência Mítica
Estamos em uma nova era, a, como é dita por tantos, pós-modernidade. Em vários âmbitos, como política e economia, há mudanças drásticas, discussões que não se viam há tempos, ou que nunca aconteceram, o que nos leva a perceber que vivemos tempos de mudanças. Um traço da dita pós-modernidade é o avanço científico. O avanço, na saúde, na tecnologia, na biologia, na física, na engenharia e em diversas áreas, é real. O homem deste século anda com passos longos. O futuro agora se dá em um espaço menor de tempo. Não pensamos em grandes mudanças para daqui a 100 anos, mas para daqui a um mês, uma semana.
Com essas constantes mudanças e “evoluções”, há quem diga – e muitos o dizem – que há questões que não precisam mais ser discutidas, que a ciência já nos deu as respostas necessárias e que só devemos partir destas respostas já obtidas, para encontrar mais e mais e progredirmos. Discutir a existência de Deus, a existência de um primeiro ser causador das coisas, discutir sobre a realidade ou sobre o que é conhecimento hoje tem se tornado atividade inútil. Afinal, para que discutir sobre coisas já tão ultrapassadas?
Cada vez mais pessoas se baseiam no “cientificamente comprovado” para acabar com discussões e atestar sua certeza. Argumentos que comecem com “foi comprovado pela pesquisa do instituto X” ou “é cientificamente comprovado que” são mais normais e representam uma infalibilidade que não aceita contra-argumentos. A ciência não erra, os cientistas são imparciais, apenas falam as coisas quando podem provar, eles estão certos, não seria bem assim? Só devemos discutir o que a ciência ainda não pode, não é verdade?
Digo apenas que este “progresso” da sociedade com razão, comprovada cientificamente e inteligente, não é nada mais que a adoção de novos dogmas e de novos mitos, somada ao desejo de segurança, de certeza das coisas, que é muito comum ver neste século. Um comercial de um alvejante, detergente ou sabão em pó só vende quando se coloca alguém disfarçado de cientista dizendo que sua eficiência é comprovada cientificamente. Lemos uma matéria sobre buracos negros, viagens interplanetárias, física quântica ou o que quer que seja e, se a fonte for confiável – MIT principalmente – nós não contestamos, pois especialistas disseram.
Sempre é bom recorrermos aos antigos para entendermos como lidar com os novos. Se pensarmos que a filosofia começa com Tales dizendo que “tudo é água”, que Platão teorizava sobre um mundo exterior ao homem, formado de ideias, que Descartes não atribuía valor algum aos sentidos e que a ciência perdurou por séculos tentando constatar a veracidade do éter, percebemos que só avançamos quando colocamos à prova o que é “comprovado”, quando lemos, compreendemos e criticamos, quando não aceitamos tudo de antemão.
Não é porque se progrediu que tudo está correto. Não é porque a ciência avança que não ela não pode ser duvidada. Não é porque é ciência que é correto. Não podemos atribuir esta característica mítica à ciência. A ciência é feita por homens, falhos por serem homens. Devemos questionar não só a ciência, mas devemos também pensar em questões que ela não aborda. Como George Steiner sublinha em “Linguagem e Silêncio”, a ciência não consegue explicar o amor melhor que uma obra de Drummond ou Clarice.
segunda-feira, 26 de março de 2012
Falta de Educação?–Parte 2
Para quem já viu a primeira parte, e leu que nós que criamos e aplicamos o “código ético”, o que denomina que alguém seja educado ou não, o que cria o conceito de falta de educação, que faço este post. Disse que não era errado que houvesse convenções sociais, que criassem o “código de educação”. Acho que é fácil denominarmos a falta de educação partindo do pressuposto de que quem não segue as “leis”, não tem educação. É fácil, mas não é totalmente certo. Darei um exemplo.
Imaginem um país, não o nosso, um outro qualquer, com outra cultura. Imaginem que neste país, antes de comer, as pessoas tenham que cuspir no chão. Imaginem que qualquer um que não segue a tendência, é considerado mal educado. Isso quebra com o exemplo que dei no último post, sim.
Talvez você, que (como no exemplo do último post) considera cuspir no chão uma atitude de falta de respeito, de falta de educação, em um país com esse tipo de cultura, se daria mal. Teria que se adequar aos costumes e desconsiderar coisas que antes considerava como educação. Talvez você possa me dizer que é óbvio, que a educação, que o “código ético” é um para cada cultura.
Se é assim, então não existe um único código de educação, existam vários. E talvez não exista um sequer que esteja correto. Afinal, cada um tem uma disparidade enorme um para com o outro. Talvez, partindo desse pressuposto, não exista a melhor educação. Então como se pode considerar o outro como mal educado? Como podemos determinar o que é falta de educação?
Você pode me dizer que podemos dizer que é falta de educação determinada atitude, que não convenha com o código moral e ético, e que seja de alguém que esteja em nosso “habitat”. Isso porque eu disse que é cultural, e se alguém está em nosso habitat, é de nossa cultura. Certo? Errado. Aliás, para cada grupo, subgrupo, existe um conjunto de valores distinto. Pode-se em uma casa viver em uma família, por exemplo, e nesta existir um pai ateu, uma mãe judia e um filho punk. Qual seria a base necessária, o chão de cada um, para denominar que atitude de quem poderia ser caracterizada como falta de educação, se no mesmo habitat, todos têm opiniões e costumes diferentes?
O exemplo é um tanto exagerado, mas ilustra o que quero dizer, que cada pessoa tem um “código” diferente, então cada um tem sua educação, e não temos o poder nem o direito de determinar quem é ou não é educado. Acho que a única exceção possível é a que a maior falta de educação existe quando invadimos o espaço do outro.
Quando queremos impor nossas próprias regras, limitar, oprimir ou julgar o outro, aí sim há falta de educação, e a pior de todas. Falta de educação é prejudicar e insultar o outro, é não aceitar as diferenças como elas são, é achar que somos superiores e que podemos determinar o que é certo e errado. É com isso que devemos nos preocupar e não com os hábitos alheios.
Sinceramente, acho muito mais louvável uma pessoa que não sabe se portar quando come ou não agradece as coisas que recebe, do que alguém que cisma de dizer que tudo o que o outro está fazendo não está certo e que se habitua a julgar tudo e todos. Acho muito mais legal aquele pobre, mal vestido, que não discrimina ninguém, que aquele milionário racista, homofóbico, que julga as pessoas pelo status social.
Não quero promover a apatia, dizer que etiqueta não serve pra nada, que é pra todo muito começar a se emporcalhar por aí, mas quero lembrar que cada um é o que é, do jeito que é, e o que podemos fazer é ajudar. Mas toda ajuda só tem serventia quando não vem com julgamento, com desprezo. Somos todos diferentes, aceitemos isso!
segunda-feira, 19 de março de 2012
Falta de Educação?–Parte 1
Faço este post, um pouquinho atrasado. Atrasado não porque prometi ter postado algo antes, mas porque já é habitual que eu demore, no máximo, cinco dias para atualizar o conteúdo do blog. Enfim, estive passando por um período de bloqueio criativo, ao mesmo tempo em que começava minha primeira semana de aulas na graduação em filosofia. Acho que as muitas questões naturais da filosofia que prejudicaram, no melhor uso do termo, minha frequência no blog.
Ao mesmo tempo em que demorei, acho que as mesmas questões me fizeram bem, por isso encaro o prejuízo como benéfico, me possibilitando frear o fluxo de informações e pensar mais apuradamente, antes de começar a escrever. Fico feliz por voltar, com este post, que propõe uma discussão de um conceito que merece ser posto à tona, a educação.
É normal, principalmente na infância, que recebamos prescrições, aconselhamentos, e até mesmo correções, mediante ao que fazemos ou não fazemos. A partir destas experiências, mais tarde percebemos que foram todos instrumentos constituintes do que chamamos de educação. Muito do que constitui nosso comportamento, nossos costumes, nosso linguajar e nossos dogmas é parte da educação que recebemos, dos pais, parentes próximos, professores.
Enfim, quaisquer que sejam os responsáveis, nós todos temos uma educação, um conjunto de regras sociais e morais a seguir, uma base para a vivência e sociedade. Isso é óbvio, e eu poderia terminar o post por aqui se estivesse apenas pensando em falar sobre isso. Mas existe algo que chama mais minha atenção. Se for mesmo sabido o que é a educação, o que caracterizaria a falta de educação?
Pois bem, você pode me responder que é fácil. Que aquele que não segue o conjunto de “leis” que mencionei, em determinado momento, se torna mal educado. Aquele que não sabe se portar, ter a postura correta, que uma boa educação proporciona, tem falta de educação. Talvez se você sustenta este argumento, possas até estar correto, mas não por completo.
Se pensarmos neste conjunto de leis morais e sociais, percebemos que ele não é instituído. Seria talvez inventado, ou uma convenção, mas não existe. Existe código de ética, limitações, mas para exemplos banais de “falta de educação” não existe um código de regras e leis que torne a mesma uma falta de educação, propriamente. Darei dois exemplos.
O primeiro exemplo é o do cuspe. Sempre quando eu era pequeno, até uns doze anos, ia jogar bola na quadra, com outras crianças, e sempre que corríamos e estávamos cansados, cuspíamos no chão. Tornava-se um hábito. O chefe da equipe cuspia, fazia até pose. Todos os outros repetiam, um a um, sem que fosse obrigação, apenas pelo prazer ou qualquer coisa que a infância proporciona. Lembro que quando saíamos daquele momento, daquele lugar, não tínhamos mais o hábito de cuspir no chão. Uma vez até cuspi, quando chegava em casa, no chão. Minha mãe, na mesma hora, me advertiu, dizendo que era falta de educação cuspir no chão, que era errado.
O segundo exemplo é um que até hoje faço. Não sei o porquê, ninguém propriamente me ensinou, mas acho que todos vocês também devem fazer. O hábito de não entrar calçado na casa de outros, quando se visita. Lembro que, quando era criança, entrar descalço ou calçado não fazia a menor diferença. Mas o tempo foi passando e, como que naturalmente, para seguir o que todos sempre faziam, e me sentir educado, comecei a tirar os sapatos para entrar na casa de outros.
Cito os dois exemplos porque não há um código ético, institucionalizado, de que não seja educado cuspir no chão ou entrar descalço na casa de outros. Há apenas as convenções sociais, que nós mesmos aplicamos e criamos, que validam os conceitos do que é ou não é educado. Não digo que isto é errado, mas partindo desse pressuposto, entendemos o que é realmente “falta de educação”.
O post está ficando imenso e precisarei fazer uma segunda parte. Na segunda direi realmente o que penso ser “falta de educação”. Aguardem, comentem, compartilhem, curtam, e sejam felizes. Espero que a leitura abra os olhos dos leitores para coisas antes não notadas.
segunda-feira, 12 de março de 2012
Dois ouvidos, uma boca, um cérebro
“Lembre-se que Deus nos deu dois ouvidos e apenas uma boca, para ouvirmos mais e falarmos menos, só o que é necessário.”
Acho que todos já ouviram algo parecido com o ditado acima. É normal se ouvir na infância, quando advertidos por tagarelar sem parar e não ouvir conselhos de adultos. Pois bem, é verdade, nós temos dois ouvidos e uma boca. Sim, nós devemos ouvir mais do que falamos. Mas tem algo muito mais importante, que nunca se insere nos conselhos e nos puxões de orelha, um adendo ao ditado, que o qualifica e o torna mais importante: temos um cérebro.
Nosso cérebro vale mais do que qualquer outra parte de nosso corpo, e muitas vezes não o valorizamos. É bem verdade que não conseguimos usar a totalidade de nossa massa cinzenta, que vivemos sem conseguir usar mais que uma porcentagem – não me arriscarei em falar quanto usamos. E mesmo sendo uma pequena porcentagem, ainda vale mais do que a totalidade de todo o resto de nossa capacidade física. E não valorizamos.
Quando digo que não valorizamos nosso cérebro não me refiro ao viés físico, a esforço mental, a stress ou coisas do gênero. Refiro-me à nossa mania de meter os pés pelas mãos, de fazer o que dá na telha, de seguir instintos e não pensarmos mais que ao menos uma vez e meia. Quando não raciocinamos e não pensamos nas consequências de nossos atos, nos tornamos vulneráveis. Essa vulnerabilidade faz com que nossa qualidade de vida decresça continuamente e não possamos ter segurança em nada que façamos.
Além de não pensar no que fazer, outro problema que há em não valorizarmos nossa massa cinzenta é o de “ouvir mais e falar menos”. Só com auxílio de nossa consciência, de nossa razão, que conseguimos acertar em “ouvir mais e falar menos”. Aliás, se não pensamos, se fazemos qualquer coisa de qualquer jeito, não filtramos o que ouvimos nem o que falamos. E se não filtramos, não adianta ouvir mais, se significar ouvir mais idiotices, conselhos ruins, coisa que não acrescenta em nada... e falar menos não adiantará também, se o pouco que falarmos não for adicionar nada a nada, for só piorar as coisas, as pessoas, os assuntos, os momentos.
Para finalizar, peço que os amáveis leitores sigam aquela regrinha, aprendida na infância e repetida aqui no início do post, mas que lembrem que temos também um cérebro, e que o uso deste determinará se seremos felizes ou não em seguir a tal regrinha.
quarta-feira, 7 de março de 2012
Ansiedade por falar
É notável na web que há uma sede por falar, por comentar, por interagir. Isso é bom, mas quando há base, há assunto. Pensando nisso, dessa pressa de falar qualquer bobagem que não acrescenta em nada, fiz esse vídeo. Confiram:
Ps.: O áudio está ruim, então coloquem o volume no máximo.
Então, pessoal, veja o vídeo, diga o que concorda, o que não concorda, o que pode ser melhor, o que está bom, o que está ruim. Como é o primeiro vídeo, sugestões para melhorar são sempre bem vindas! Saudações Monologueiras!
quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012
A Completa Falta do que Fazer
Como blogueiro, há sempre aquele momento em que me vem um insight, uma ideia para post, daí eu anoto, e depois, quando estou em meu quarto, frente ao meu notebook, começo a escrever. Entretanto, sempre há aquela ideia que vem com força no insight, mas perde toda a força quando tento “pôr em prática”. Nem sempre a ideia é ruim, mas há vezes que não estou preparado para falar sobre tal assunto em tal momento.
O assunto deste post se encaixa nessa categoria. Há tempos que quis falar sobre isso, mas nunca tive capacidade de transforma-lo em um post. Talvez pela familiaridade que tive com o assunto, hoje consigo escrever, afinal nada é melhor que escrever sobre algo de nosso cotidiano.
Certo dia, li um post em um microblog tweet que dizia mais ou menos assim: “A vida é curta, mas é a coisa mais longa que você tem”. A objetividade da frase me pegara no dado momento, pois sempre pensei que a vida era curta e sempre dissera isso. Comecei a me questionar sobre isso e algumas coisas mais. Comecei a pensar no que falava e no que muitos falam. Aquela coisa de que “a vida é curta, temos que aproveita-la da melhor forma”, que todos dizem.
Depois de pensar, percebi que a vida ser longa ou curta é uma questão relativa. Relativa apenas por um fator: não sabemos quando iremos dessa para a melhor. E desconhecer a hora de nossa morte talvez seja a maior dádiva por nós recebida, pois podemos nos concentrar mais no presente que no futuro, que é incerto. Lembrando que o futuro é incerto, mas nós delimitamos o que será provável e improvável de acontecer.
A vida ser curta ou longa não é o problema. Deveríamos rever nossa vida e pensar em como andamos aproveitando nosso tempo. Aliás, o que devemos procurar sempre é manter uma boa qualidade de vida. Muitas vezes, não aproveitamos nosso tempo da melhor forma e passamos a viver em um parasitismo infernal, sem fazer nada de nada, apenas enfurnados em um tédio constante, aderindo a uma mania de deixar tudo que é importante para depois, achando que sempre temos mais dois ou três minutos para descansar e esquecer as prioridades.
Como disse, ando familiarizado com o tema, pois ultimamente tenho deixado muitas coisas para depois, tenho usado meu tempo da pior maneira e isso tem piorado minha qualidade de vida. Não posso ser hipócrita e me apresentar como um ser humano perfeito que irá te ajudar a viver da melhor maneira, ou seja, como eu vivo, pois minha vida não tem sido nem um pouco a melhor possível. Deixo dicas para que você pense, repense, questione e pense novamente sobre alguns erros que cometemos sempre e que podemos corrigir. Prometo aqui que tentarei preencher meu tempo da melhor forma possível. Nossa curta longa vida precisa de bons administradores.
quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012
Amigos, amigos… Opiniões à parte
Por experiência própria, sei como é normal ter vontade de agradar. Talvez não possa generalizar, pois sempre tem um ou outro individualista nato, mas na maioria das vezes, gostamos de agradar nossos amigos. Quando estamos com eles por perto, não queremos demonstrar tristeza, mesmo se no momento estamos desolados, não gostamos de falar de assuntos que despertem a raiva destes. Queremos acima de tudo o conforto, então não provocamos momentos indesejáveis.
Esse altruísmo é normal, além de necessário, e é um traço comum entre as amizades. O problema é quando há pessoas – e isso acontece – que confundem o altruísmo com a falta de senso crítico e personalidade. Talvez por insegurança, medo de perder suas amizades, há pessoas que não dão suas opiniões sobre nada que seus amigos falam. Apenas concordam com os tais, ou tentam.
Há também aqueles que ouvem os pontos de vistas dos amigos e tomam para si, por completo, sem filtragem, o que fora dito. E, por fim, há um terceiro e último perfil, o daqueles que, na discussão, apresentam seus pontos de vista e, no primeiro embate, mudam de opinião e apoiam o que for falado por seus amigos.Pois bem, deixemos claro que amizade não é bajulação. Como qualquer relação, amizade tem como base a aceitação. Eu não sou seu amigo porque você concorda com tudo que eu diga, sou porque aceito seu modo de pensar. Como ninguém é perfeitamente idêntico, todos diferimos uns dos outros em diversos aspectos. E essa distinção, essa diferença entre nós, que tem graça.
Não seria legal se todos pensassem, falassem, comessem, se vestissem, cantassem, pulassem ou gritassem da mesma forma. Cada pessoa é única, cada um com seus defeitos, suas qualidades, sua personalidade, seu caráter. Tudo diferente, tudo bem distinto. É normal que amemos alguém, que valorizemos a amizade de alguém, mas não podemos anular nossos pontos de vista, nossa maneira de pensar, nossa crítica, por causa de uma amizade.
Não devemos pensar que se dermos nossa opinião, perderemos nossos amigos, pois amigo de verdade é aquele que nos aceita, não aquele que nos quer massageando ego. Não seja besta de dar valor a pessoas que não te aceitam como você é, ou melhor, como você pensa. Seja feliz com sua personalidade, com seu senso crítico... E com amigos que respeitem você.
segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012
Um mundo sem braços
Depressão é uma das maiores causas de mortes na atualidade. Os suicídios aumentam drasticamente em diversos lugares. A autoestima das pessoas tem diminuído, em um mundo onde a educação é lastimável e os relacionamentos se tornam superficiais. A aceitação e a simpatia se tornam raras e as pessoas tentam preencher suas carências de todas as formas, mais inúteis. Nós excluímos, criamos padrões que nem nós mesmos nos encaixamos... Tudo para julgar. E quem não tem um braço é que se dá bem!
Simplesmente eu nunca vi uma noticia sequer que relatasse um caso de um individuo, sem braço, que se suicidou. Imagino que é óbvio que tal fato seja improvável de acontecer. Não ter um braço pode ser a chance de fazer sucesso. Simplesmente quem não tem um braço não tem cobranças. Como se fosse inferior, tudo que o cara sem braço fizer, mesmo que seja banal, será visto como conquista.
Seja gordo, raquítico, negro, japonês, feio ou bonito, nada disso importa quando não se tem um ou dois braços. As pessoas só reparam nos seus braços – ou na falta deles. Se era desafinado, desengonçado ou um completo imbecil antes de perder os braços, depois poderás ganhar concursos de música, dança ou redação, apenas por não ter seu braço.
Imagino que quem não tem um braço não reclama também de falta de amigos por perto, pois sempre tem algum inconveniente que puxa assunto com o dito cujo. Claro que, sempre, a falta de discrição das pessoas resulta na completa falta do que falar, levando as conversas sempre para o assunto do braço faltante. Mas diálogo é diálogo!
Se não tiver braços, qualquer projeto que você tente fazer não terá prazos tão malignos, e só sua vontade de fazer projetos será vista como superação. Não poderás ter quaisquer esforços físicos, pois todos te “ajudarão”, afinal na mente sábia da população, não ter braço significa não ter competência.
Enfim, não ter braços melhora nossa condição de vida, em um mundo, em termos, desprezível. Que todos nós percamos nossos braços, para que comecemos a perceber uns os outros e paremos de ser hipócritas. Esse post é apenas uma crítica, não só ao tratamento a pessoas sem braço, mas à uma hipocrisia social que é imposta em relações com pessoas que excedem à maioria.
sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012
Peque, mas não deixe que descubram
Não, este não é um post de tema religioso. Talvez, a única correlação que pode-se fazer com o assunto deste post e as religiões, é uma certa mania de se meter em tudo que fazemos. Talvez com essa última frase, pude ter sido grosseiro, pude ter desrespeitado 1001 regras de conduta e daqui a pouco posso até ser processado. Pois é, é sobre essas possibilidades que quero me ater neste post.
Não gosto de ter opiniões “fast-food” em relações aos assuntos que tramitam jornais e revistas. Não gosto de ler, por exemplo, sobre a posse da nova ministra da secretaria de política para as mulheres, e logo repetir a primeira opinião sobre o assunto. Gosto de ler a mesma notícia de diferentes fontes, ver os desenrolares e os motivos, até mesmo de ver artigos com opiniões diferentes, até criar o meu ponto de vista.
Faz alguns meses que estourou aquela notícia sobre o comediante Rafinha Bastos, de que ele fora afastado de programas de TV e processado por causa de um comentário, que alguns chamaram de piada, onde ele disse que “comeria a Wanessa Camargo e o bebê dela”. Faz também algum tempinho que a antiga ministra Iriny Lopes, hoje deputada, pediu a proibição da veiculação de um comercial publicitário, onde a modelo Gisele Bundchen tira a roupa e fica de lingerie, da marca proposta, para fazer com que o “marido” se esquecesse de seus gastos.
A ministra disse que o tom sexista da piada da propaganda era desrespeitador, que tratava a mulher como um objeto sexual. A sábia ministra não percebera o que milhões de brasileiros perceberam, que a ideia da propaganda era de valorizar a marca, de dizer que “toda mulher que usa aquela lingerie, tem seus maridos em suas mãos”. Um cliché que toda marca para mulher usa, mas que para nossa antiga ministra, mostrava um tom desrespeitador.
Na TV, não há mais aqueles momentos com comediantes quase sempre nordestinos, que faziam piadas sobre homossexuais, bêbados, loiras e até mesmo “paraíbas”, pois as emissoras agora têm medo de serem processadas. O comediante de hoje tem que fazer seu texto e antes do show, excluir todas as piadas que envolvam algo institucionalizado. Sorte nossa que ainda não existe o “Conselho Nacional das Loiras”. Ah, mas tem os direitos da mulher... É, então não teremos mais piadas com estereótipos, pois estereótipos agora são proibidos.
Não só piadas, mas opiniões. Se alguém diz que mulheres devem cozinhar para seus maridos, esse alguém é um machista que não sabe do que está falando. Ele não está atualizado com o que é correto em nossa sociedade, ele está desrespeitando. Se alguém diz que não consegue ver um negro porque houve um blackout, não há humor na falácia, apenas um preconceito enrustido, que pode ser despertado. A piada agora revela nosso “caráter vergonhoso”. Não há mais aquilo de pensar no que vai fazer as pessoas rirem, agora devemos pensar no que iremos falar, para que todos se sintam confortáveis.
Uma piada sobre loira contribui tanto para o aumento do machismo no Brasil quanto um agricultor do Peru contribui para o aumento do tráfico de drogas no mundo. Nosso país é considerado democrático, mas nos comportamos como socialistas enrustidos. E nossas opiniões são condenadas. Talvez agora pode ter alguém que acha que sou direitista, racista, homofóbico e machista. Esse alguém, pode considerar tudo que eu disse desrespeitador. Esse mesmo alguém também vai condenar todas as opiniões contra o exagero do “politicamente correto” e ler apenas o que lhe agrada.
A pior característica do politicamente correto é a fuga do debate. Como isso tem se tornado uma característica muito evidente nas opiniões alheias, posso começar a me preparar para o futuro e inevitável luto pela liberdade.
terça-feira, 14 de fevereiro de 2012
A Facilidade de Odiar
Há muito tempo que tive a ideia de fazer um post sobre este assunto. Talvez se na época que me veio a ideia, logo eu fizesse o post, não ficasse tão bom, ou ao menos não tão verdadeiro. De lá pra cá, tive muitas experiências que foram vitais para que eu tivesse a maturidade necessária para a criação deste post.
Nasci com uma habilidade, que às vezes considero um peso cruel. Eu observo e questiono tudo à minha volta. Na medida em que tenho relações de amizade com diferentes pessoas, observo também, como expectador, minhas relações. Desde momentos felizes a discussões e brigas. Sempre me questiono sobre o porquê de ter acontecido tal coisa, o que eu deveria ter feito ou deixado de fazer, ou se o que fiz foi certo ou necessário.
O que mais me incomoda e me induz a questionar é a facilidade com que relações acabam. Já vi amizades que duraram anos acabarem em um estalar de dedos. Filhos que após uma discussão com seus pais, saem de casa e se tornam rancorosos, melhores amigos que por um erro mútuo começam a se odiar, pessoas que se afastam de outras por ciúmes... Para um grau maior ou menor de erro, as amizades sempre estão sujeitas e suscetíveis ao término.
Não sei se é porque eu não consigo mais sentir ódio de ninguém – apenas falta de empatia –, mas acho que o sentimento mais fútil que existe é o ódio. Talvez seja por isso que seja fácil odiar. Se analisarmos como é fácil odiar, difícil amar e percebermos que odiamos mais por preguiça que por razão, talvez paremos com nosso sentimentalismo barato e comecemos a aplicar um pouco de racionalidade às nossas relações.
Para se construir uma amizade, deve-se haver investimento. A começar por mim, quando conheço uma pessoa, procuro me portar de forma que agrade, saber sobre seus gostos, suas crenças, seus ideais. Procuro estabelecer uma relação de confiança. Procuro criar oportunidades para rirmos, oportunidades para termos prazer, mesmo que nas coisas mais bestas, como andar em uma praça ou comer um cachorro quente.
A amizade necessita de um investimento mútuo. A amizade necessita também de muitas vezes uma abstinência moral. Momentos em que precisamos esquecer nossos dogmas religiosos ou morais, para não contrariar o amigo e correr riscos. Evitar os embates, saber o que irá faze-lo triste e, mais importante, o que vai tirar inúmeras gargalhadas dele. Ser amigo não é fácil. Ser inimigo é.
A receita para se construir uma relação de ódio é facílima. Basta apenas nos rendermos ao nosso ego, que conseguiremos odiar bastantes pessoas. Relações de ódio consistem em um profundo rendimento e apegamento à intolerância. Intolerância a reações, gostos ou opiniões diferentes. Geralmente, enquanto a amizade é construída por inúmeros momentos de alegria, o ódio se firma apenas com uma briga, com uma mentira, com um erro.
O ódio se torna fácil porque nos comportamos como idiotas. Vivemos momentos maravilhosos e grandes histórias com alguém. E esquecemos de tudo por um erro cometido. Nos tornamos julgadores, como se todos fossemos perfeitos e impassíveis de erro. Não damos a segunda chance, pois a partir de um erro, pensamos que tudo de bom que o outro algum dia fez para nós era mentira. Deixamos o ódio nos consumir e dirigir todos nossos passos.
Como não gosto de coisas tão fáceis e aprecio desafios, tento sempre conservar minhas amizades. Faça isso você também. Não deixe um erro acabar com uma relação de confiança. Maturidade é escolher o melhor caminho, não o mais fácil. Odeie o caminho fácil do ódio.
sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012
Nunca vi, nunca ouvi, não conheço e odeio
Como qualquer pessoa, convivo com gente de todo tipo. Tem os mais liberais, os mais anárquicos, os mais conservadores, os mais socialistas. Também discuto muito, gosto disso. Gosto de embates de opiniões, de procurar um ponto em comum entre minha opinião e as alheias, de rever meus conceitos e perceber o quanto estou certo e, principalmente, o quanto estou errado. A partir da massificação de um determinado tipo de gente, fiquei mais seletivo para as discussões. Com esse tipo, não discuto, sou rude e ignoro logo.
Faço isso porque eles ferem a regra natural da discussão: Se for criticar, discutir ou abordar algum assunto, tenha algum conhecimento prévio. Parece óbvio; como um padre não discute sobre fotografia, um publicitário não discute sobre arquitetura. Só que ultimamente, com o crescente aumento – é, foi uma tautologia – dos pseudo intelectuais e dos metidos a alternativos, tornou-se comum a mania de falar do que não se conhece.
Lembro de uma vez, quando eu discutia sobre música com um indivíduo. Eu tinha visto as músicas do celular dele, que estava encharcado de Popboys e Popgirls. Muito Jonas Brothers, Manu Gavassi, Simple Plan, Hori, e por aí vai. Sem querer criticar o que ele estava ouvindo, apenas disse que aquilo não fazia muito meu estilo, que prefiro mais o punk, grunge, hard rock, metal... Ele disse que também curtia rock, mas que aquelas músicas tinham sido introduzidas no seu celular, por sua irmã. Acreditei, pois eram músicas do feitio do público feminino pré-adolescente de baixo QI (com todo respeito, se tiver alguém que goste).
Então perguntei para ele o que ele gostava no Metal. Ele disse que curtia Iron Maiden, Slipknot e Metallica. “Ele gosta de variedade”, pensei. Três bandas com estilos bem distintos. Como das três bandas, ouço mais Metallica e Iron, perguntei pra ele que músicas ele gosta mais das bandas. “The Number of the Beast” e “Master of Puppets”. “Dois grandes hits das bandas, que bom”, pensei. Logo depois, a última pergunta. Perguntei se ele já ouviu os álbuns que continham essas músicas. Ele disse que só tinha ouvido duas músicas do Iron Maiden e uma do Metallica, no youtube.
Fiquei embasbacado com a pretensão que ele teve. Como alguém pode se dizer fã de uma banda ouvindo uma música, no youtube!? Quando alguém se diz fã, acho eu, é porque conhece o trabalho do artista, gostou do que ele já produziu até agora, ao ponto de sempre estar buscando mais sobre o artista, conhecendo. Esses valores clássicos devem estar mesmo ruindo com nossa nova geração.
Hoje posso dizer que sou mestre em pedagogia após ler no wikipedia sobre isso, posso dizer que vou fazer uma pesquisa sobre Geologia, apenas buscando no google e clicando no primeiro resultado. Posso dizer que sou fã de Bob Dylan, apenas ouvindo duas músicas dele no youtube. É tão fácil discutir sobre algo hoje, sem nenhum embasamento, com apenas alguns parágrafos lidos.
Futilidade do Conhecimento, essa é a nova “cultura” das massas atuais. É a facilidade do resumo, aliada à dificuldade de ter uma visão mais profunda. É a pressa de ter algum resultado inferior, aliado à preguiça da especialização. Infelizmente isso tem se tornado alastrador. Eu continuo com meu pensamento, de discutir só sobre o que sei, de pesquisar mais e mais, de não falar qualquer besteira sobre qualquer coisa. Homem das cavernas eu? Talvez... Mas se quiser discutir sobre isso comigo, tenha embasamento, do contrário não te ouvirei.
sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012
Nós, Cachorros, Nós, Gatos, Nós Nós Nós
*Post escrito há um tempinho, postado agora…
Faz pouco tempo que uma notícia ganhou notoriedade pública, através das redes sociais, do youtube, e depois nos jornais de TV, impressos. Uma mulher espancando um cachorrinho diante de uma criancinha. Tenho certeza de que todos lembram como foi a repercussão do caso, principalmente nas redes sociais, onde quase que a totalidade das pessoas publicavam ofensas à tal mulher. Isso tudo me fez refletir e pensar neste post.
Quando ouvi sobre aquela notícia, procurei saber mais sobre o assunto e perguntei a uma amiga, que estava muito atenta a tudo que estava acontecendo. Esta me revelou sua indignação, me contou mais sobre o que houve, deu sua opinião. Ela estava muito irritada com tudo e eu a consolei. Estava irritada porque no dado momento tudo parecia muito injusto, a mulher não fora presa, pelo que parecia ela iria sair impune e não era possível se conformar com isso.
Após pensar muito sobre o caso, quero agora fazer uma reflexão sobre algo que, para mim, é a melhor lição que podemos tirar de tudo o que aconteceu.
O que você tem feito para melhorar o mundo?
Parece um discurso da Legião da Boa Vontade, mas quero sim me ater a isto... O que temos feito para melhorar o mundo?
Cada vez mais os jornais estão recheados de casos que podem acabar com nossa estrutura, um mais bárbaro que o outro. Sempre quando acontecem, pessoas ficam divididas em julgar a justiça, a polícia ou mesmo os autores dos crimes. Não quero me ater a julgar aquela mulher, pois acho inútil gastar caracteres com pessoas que não os merecem.
O tema deste post se resume a esta pergunta, pois em um desses últimos dias, discutindo com meu pai sobre este caso, ele disse “é, mas fazem pior com pessoas e ninguém fala nada”. Achei incoerente aquele discurso, mas depois vi que muitos falavam a mesma coisa. Daí pensei que ele estava correto, mas percebi a errata do discurso. Cachorros, gatos, pessoas, o que for, sempre terão quem os defenda e quem os condene. O problema não é escolhermos quem ou o que ajudar.
O problema maior, que mais deveria ser discutido e que mais merecia notoriedade é o nosso egoísmo, nossa preocupação consigo. Fazemos tantos planos, pensamos em nosso futuro, estudamos, compramos, vendemos, mas nunca fazemos tudo isso pensando na ajuda ao próximo. Alguns de nós dizem que amam o próximo, baseados no argumento de que dão algumas mixarias para ONGs ou orfanatos, o que não dá nem em 10% de seus salários.
Melhorar o mundo não é isso!
Acho que se fizéssemos qualquer coisa, mesmo que a menor e, vista por outrem, sem valor, e a fizéssemos sem esperar nada em troca, pensando no bem de próximos e não no nosso, sabendo que podemos perder tempo, dinheiro, até mesmo amigos, mas que o que fizermos poderá ajudar a melhorar o nosso mundo, a nossa realidade, a nossa sociedade, se o pensamento de todos fosse este quando pensassem em ajudar alguém, o mundo seria bem melhor.
Não sou funcionário do Greenpeace ou filho da Luiza Mell, mas quero que todos percebam que nada irá mudar se não mudarmos primeiro. Os crimes, as dissenções, as hipocrisias, os sistemas complexos e opressores; nada acabará se não sairmos de nossas cadeiras, pararmos de só comentar, de só opinar! Pró-atividade, é disso que estamos precisando! Há necessidade de profissionais qualificados nesta área.